Não lembro qual foi dia, mas assisti ao espetáculo IVANOV, do grupo cearense Teatro Máquina, que esteve em temporada por João Pessoa. Bem comentado por quem assistiu, o espetáculo surge a partir do texto de Anton Tchékhov. Mostra a vida de um homem e seus conflitos interiores, exposto ao amor de uma esposa doente e à paixão fulminante da jovem Sasha. Ivánov, se ocupa com conversas frias, e diálogos vazios que refletem a decadência da aristocracia rural russa da virada do século XIX.
Fran Teixeira, diretor do espetáculo diz:
“Para o figurino e o cenário fazemos uma espécie de fusão de períodos, deixando algumas marcas do ambiente rural e do século XIX impressas neles, mas sem a preocupação de retratar um período. A cenografia traz muita madeira, mas em um desenho que revela sua estrutura cenográfica”.
Com certeza, o figurino do espetáculo é atemporal, traz referências do século XIX, em rendas, linho e formas que fazem oposição as botas e as malhas utilizadas nos vestidos refletindo o “ambiente rural”. A calça do personagem principal, tem abotamento duplo. O vestido da esposa doente, tem modelagem reta, e a malha dá o caimento leve à caracterização, finalizada com uma correntinha delicada. A criada veste uma casaca preta com uma boina, reflexo do traje russo. Esses ambientes se cruzam, na possibilidade contemporânea de caracterizar de forma atemporal uma história. Quase no fim do espetáculo, Sasha entra com um vestido de noiva, composto por véu e saia de armação. Na hora me questionei, como o figurino em todo espetáculo era real (concreto), por que naquele momento específico, a roupa foi mostrada por dentro, com a saia de armação? Talvez, por conta do casamento ser considerado uma instituição decadente, uma pobre solução para a felicidade.
Bem, a mim cabe parabenizar Diogo Costa, figurinista, e sua equipe, pela criação e confecção desse figurino, que enche os olhos pois comunica a alma.
Para mais informações sobre o espetáculo visitem o blog DIÁRIO IVANOV.


